Aprendi a ser simples. O pouco já me basta. e isso não significa que qualquer coisa serve: são as pequenas grandes coisas que me conquistam. Aprendi a desapegar das grandezas e hoje percebo as nuances escondidas na mesmice: nenhum nascer de sol tem o mesmo tom que o outro. O mar nunca amanhece igual ontem e sempre tem uma folha - a mais ou a menos - nos sombreiros da praia. Eu vejo, todo dia. Vezes tantas de sol, vezes de chuva, quando chovia. A rotina é tão cheia de acasos. Para quê reclamar da vida, só por ela ser repetitiva todos os dias? Quem o faz, é porque não nota a simplicidade impregnada nas frestas da cortina, na rachadura no gesso, na dança que o leite faz com o café, no doce da ameixa - que deveria estar azeda, no pé de pitanga que ficou vermelhinho de um dia para o outro, no cheiro de milho verde cozido que vem junto da brisa do mar, naquele corredor que outrora foi fresco. O fio do telefone se enrola em forma de coração - sem querer. O chefe acorda de bom humor e te ...